Embora seja considerado um pouco antigo pelas gerações novas, a “Crónica dos Bons Malandros” pode representar uma óptima escolha. O filme baseia-se no livro de Mário Zambujal e estreou em 1984.
A comédia conta as aventuras duma quadrilha de ladrões que têm como objectivo principal o assalto do Museu da Fundação Gulbenkian de Lisboa. Como as jóias do Museu Gulbenkian consistem numa boa oportunidade de enriquecimento, um misterioso italiano propõe à quadrilha um assalto ao edifício.
Um detalhe importante no cenário do filme é representado pela descrição dos protagonistas - os ladrões são apresentados de uma maneira cómica, engraçada, típica para o protuguês comum. Por outro lado, o realizador, Fernando Lopes, escolheu como local da acção a capital do país, Lisboa. E, por isso, o público poderá admirar à vontade sítios de grande interesse turístico e de beleza magnífica, como por exemplo a Praça de Rossio. Nestas felizes escolhas, estou em crer que o talento dos actores sai enriquecido pelo charme inesquecível da capital portuguesa!
Acredito que este filme merece ser visto não só pelas escolhas inteligentes do realizador ao preferir uma linguagem coloquial e divertida, mas sobretudo porque a obra de Zambujal tem sido considerada pela crítica uma excelente história de suspense, capaz de envolver e apaixonar o leitor.
Embora não seja a obra-prima de Fernando Lopes ou não tenha deixado uma marca indelével no cinema contemporâneo, o filme “Crónica dos Bons Malandros” é um retrato fiel da sociedade dos ano ’80 em Portugal e só por isso já merece ser apreciado.
Lazăr Isabel
2º ano A
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Crónica dos Bons Malandros - Reflexão
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patrícia
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quinta-feira, 1 de maio de 2008
Jeito para não ter jeito
Não sou um supermulher, nem consigo fazer a cebola chorar mas, sim, tenho uma característica em comum com Chuck Norris: tal como o dele, o meu talento escondido é invisível! Está tão escondido e invisível, que nem eu própria consegui ainda descobri-lo.
“Cantas pior que um sapato!” – são palavras que eu já ouvi demasiadas vezes, o que me faz pensar que o meu talento especial não tem nada a ver com a música. Além disso, nunca aprendi a tocar nenhum instrumento, nem sequer harmónica, ainda que o meu avô tenha tentado anos a fio despertar o meu jeito latente para aquele instrumento. Esforço em vão!
A pintura é uma outra área que deverá ser eliminada da minha lista de talentos possíveis. Nunca consegui desenhar algo concreto, e acabei sempre por pedir à minha mãe que me fizesse as pinturas para a escola. Dentro deste domínio só consegui fazer alguns desenhos abstractos, mas penso, agora, que eram demasiado excêntricos para que algum professor os compreendesse! Portanto, parece que nenhum Picasso se esconde dentro de mim…
Nem os desportos são o meu ponte forte... Sempre que tento praticar algum actividade física, só consigo pôr a minha vida e também a vida dos outros em perigo. Até uma bola inofensiva pode tornar-se numa arma mortal se vier parar às minhas mãos.
Depois de tantos anos de esforços na tentativa de descobrir o meu talento especial, talvez não tenha sido tempo lançado ao vento, afinal, se pensar bem, acho que já consegui encontrá-lo: EU TENHO JEITO PARA NÃO TER JEITO ALGUM...
Irina Ene 2° Ano
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O pintor e o mundo inteiro
Pintar uma paisagem não é uma tarefa tão fácil como as pessoas possam pensar. Só um pintor sabe que metamorfoses sofre uma tela até que chegue a ser a bonita imagem de um campo cheio de flores.
Espremer os tubos de óleo ou raspar a tinta não é condição suficiente para se obter um bonito quadro.
Um verdadeiro pintor deve ser um Júpiter que saiba como decifrar os mistérios que se escondem mesmo nas imagens que parecem simples e sem segredos, como um mar sossegado ou um campo soalheiro. Deve ser um Mercúrio que misture as cores quentes e as frias para obter a mais sublime intensidade, um Marte que intensifique os contrastes e uma Vénus que dê um demão de tinta para realçar a beleza da paisagem.
Talvez o próprio Deus tenha sido um exímio pintor porque só um grande artista poderia criar um mundo tão sublime e cheio de beleza. Diz-se que quando Ele proferiu “Haja luz!”, terá conseguido pintar o maior quadro de todos os tempos – o mundo inteiro.
Irina Ene, 2ºAno
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quinta-feira, 17 de abril de 2008
''Crónica dos Bons Malandros", Versão Lopes
Sob a direcção de Fernando Lopes, em Outubro de 1984, estreou a comédia baseada no livro (com o mesmo título) de Mário Zambujal: ''Crónica dos Bons Malandros'', filme nem bom nem mau, mas completamente fora da linha tradicional.
O filme retrata um assalto, golpe nunca imaginado, que afinal se encontra com o imprevisto.
Num cenário colorido, vemos um grupo de marginais (Renato, João Perry; Marlene, Lia Gama; Petro Justiceiro, Nicolau Breyner e Lina Despachada, Zita Duarte) a engendrar todos os preparativos para o golpe cuja meta principal é roubar várias obras de arte do Museu Gulbenkian.
À medida que a história avança, os espectadores vão conhecendo o background de cada membro do grupo e também os diversos e atribulados caminhos que os levaram até ao ponto do golpe.
O filme surpreende pelo movimento contínuo, pela quase pobre troca de réplicas e, sobretudo, pela sobreposição de representações ''minimalistas'' dos actos das personagens. Às vezes, porém, estes momentos de exposição induzem a uma disposição demasiado futurista para o assunto apresentado.
A ''Crónica...'', de facto, impressiona pouco e a ideia de poder ser um blockbuster - está fora de questão. Mas se estiver apaixonado pela imagem dos anos 80 (para quem gostar também dos jogos de consola) talvez este filme seja uma boa opção para os revisitar!
Cristina Nitu, 2ºAno
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terça-feira, 11 de março de 2008
A discriminação dos “politicamente correctos”
A discriminação existe desde a criação das classes sociais. Há vários tipos de discriminação – sexual, racial, religiosa ou social, mas escolhi falar sobre um certo tipo de discriminação – a discriminação étnica – porque nos últimos tempos tenho experienciado muitas situações em que me vi no papel de alvo da discriminação.
Por exemplo, como turista romena, podes passar por situações embaraçosas, dado que algumas pessoas te podem tratar, sem te conhecerem, com hostilidade, pura e simplesmente por causa dos preconceitos que já formaram para com os romenos, e outros povos do Leste em geral.
Acho profundamente injusto que todos os romenos sejam considerados delinquentes por causa de alguns indivíduos que não reispeitam as regras fundamentais de convivência numa sociedade. E o que é mais triste é o facto de, para muitos, o termo de “rrom” ser sempre sinónimo de “marginal” e “delinquente”.
Um exemplo de discriminação que me deixou muito surpreendida, e quase chocada, encontrei-o num dicionário explicativo de francês, em que, junto da definição da palavra “romeno” aparece uma imagem de ciganos vestidos com costumes populares específicos da Roménia. O que quer isto significar? Que os estrangeiros não fazem a diferença entre cigano e romeno?
Este exemplo pode mostrar que muitas ideias preconcebidas provêm, na maioria das vezes, de uma falta de educação ou mesmo de uma certa ignorância. Porque é sempre mais fácil acusar ou ignorar algum facto ou alguma coisa do que tentar entendê-lo.
Por outro lado, admito que também eu possa ter ideias preconcebidas injustificáveis (e é por isso que não posso condenar os outros) quando se fala de certos tipos de pessoas. Eu própria sei que nao devia generalizar, mas, ao mesmo tempo, é difícil ser tolerante quando um povo inteiro é mal julgado por causa de uma minoria - e não me refiro à minoria cigana, mas à minoria de delinquentes, pessoas que não respeitam os outros e ferem as liberdades alheias.
Contudo, hoje em dia, as pessoas começaram a deixar de lado muitos preconceitos, a entender que há excepções, ou pelo menos tentam ser mais tolerantes, e uma boa prova disso é a campanha contra a discriminação étnica na Roménia – “A Discriminação aprende-se em casa”.
Crescer e viver é também aprender a viver com o outro em harmonia e respeito pela diferença.
Ruxandra Parjoleanu
2º Ano
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Começar e não Descansar (de Saramago)
"Antes eu dizia: 'Escrevo porque não quero morrer' Mas agora mudei.
Escrevo para compreender o que é um ser humano." (José Saramago)
Disseram-se e escreveram-se tantas coisas sobre Saramago, elogiaram-no e colocaram-no num pedestal ou rejeitaram-no; ele próprio deu à luz a um amontoado de controvérsias e, ao mesmo tempo, surpreendeu tanto os seus leitores, como os críticos com a sua prolificidade e perseverença em manter a sua integridade artística.
No início, o que me levou a lê-lo foi esse misto de polémica, renome e ar pós-modernista (rótulo embora recusado pelo artista). Logo que abri “Ensaio sobre a Cegueira”, começando com os primeiros parágrafos, fiquei enfeitiçada e soube nesse instante que Saramago seria um dos meus escritores preferidos.
A crise de identidade, a multiplicidade de eu’s, o amor, a sociedade, o mundo, o ser humano vistos por uma lupa oscilante que ora aumenta ora minimiza, por uma maneira (tão diferente da anterior pecularidade artística portuguesa) de decompor e divulgar (aparentemente) a complexidade psíquica e espiritual das suas personagens…tudo isto me enche com uma nova experiência literária, um desafio total ao qual não posso resistir…
A desconstrução da identidade, as relações inter-humanas desnaturadas, supérfluas, os contextos históricos bem marcados, tudo isto faz com que as suas escritas se tornem um espelho onde me posso mirar, interrogar, reflectir sobre o meu papel no mundo, aprender a lidar com as inquietações identitárias, com a realidade contundente.
Por outro lado, o protesto saramaguiano, às vezes subtil através da ironia, do paradoxo, mas predominantemente óbvio (através, por exemplo, da escassez de sinais de pontuação como uma reaccão à suposta perfeição do mundo), emergiu vigorosamente na minha visão de leitor como mais um estímulo para meditar sobre o facto de vivermos, sem dúvida, num mundo em que pouco ou nada são rosas, em que, como o próprio escritor confessou, “perdemos o sentido do protesto, o sentido crítico, parece que vivemos no melhor dos mundos possíveis”.
No que concerne a “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, este romance influenciou significativamente a minha visão sobre a alteridade e a individualidade, a humanidade e as suas crises, os traumas do passado e os do presente, a passividade e o dinamismo e as contrariedades esmagadoras que nos rodeiam. Embora há quem diga que se trata só de uma ficção sobre a ficção, de uma tirada ilusória, no meu entender, Saramago desvenda aos olhos (de quem quer verdadeiramente ver) a realidade projectada na ficcionalidade, sem “enfeitinhos” redundantes, porém conservando a mensagem de que devemos, de uma forma ou outra, agir, pensar, não ensimesmar, mas exibir as forças dos nosso “múltiplos eu’s” capazes de mudar efectivamente o mundo, pelo menos aquele que nos rodeia.
Perguntei-me várias vezes quem aproveita mais das escritas de Saramago: talvez seja ele mesmo – por conseguir, através dos seus romances, acercar-se do conhecimento em profundidade do ser humano, ou eu, o leitor – por beneficiar da oportunidade de ampliar a minha perspectiva e consciência sobre o mundo em que vivo, sobre as mudanças que ocorrem por dentro e por fora de mim…
Teodora Chiţă, 2º Ano
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“HOMERO” – ou O Baptismo das Coisas
"Em Homero reconheci essa felicidade nua e inteira, esse esplendor da
presença das coisas”.
( Sophia de Mello Breyner Andresen )
Por que razão escolhi ler e comentar o conto “Homero”?...Fiz esta pergunta a mim mesma várias vezes...foi uma escolha fortuita? Não sei bem...talvez me tenha atraído o facto de a palavra do título não aparecer no corpo texto.... Era mesmo intrigante, porque havia só um nome próprio e aquilo, conforme o dicionário, designava a concha dum molusco. E seguiram-se outros raios de curiosidade, o nome da autora, a narração iniciada dum ângulo pessoal, o fascínio ganho em cada palavra esquisita que podia envolver um símbolo escondido, o universo apenas esboçado.
Agora, depois da leitura, as correlações começam a surgir: parece que todas as coisas têm um nome com duplo sentido: o da superfície e o do fundo. Enquanto movimento - ele vem do avesso, do fundo para a superfície, como se Sophia quisesse purificar a palavra, de dentro para fora. Sabe-se quem foi Homero, mas teia enreda-se em volta de Búzio, deixando a impressão de que o primeiro representa somente uma estratégia para engodar o leitor contemplativo.
A presença do poeta grego influenciou profundamente a obra da Sophia, faz-se sentir a sua presença a todo o passo e em todo o seu percurso literário. Repare-se naquela balança metafórica, (embora expressa explicitamente na descrição física do Búzio através do qualificativo “baloiçado”), na qual a narradora coloca os dois vultos - num prato o homem da ficcionalidade, no outro o da realidade. E quem é quem? Substituam-se alternativamente, no fundo, brincam, surpreendem. Delete. Aquilo não devia estar escrito. Para quê tantos jogos de palavras, onde haverá ligações? Trata-se simplesmente de um mendigo (que não mendiga) bucólico e de sensações transmitidas pelo mar a um velho e, se calhar, a uma menina muito impressionada com a aparição do segundo. Delete mais uma vez!
Na verdade, Homero é a sombra do Búzio, uma parte integrante dele, porventura o ânimo, a lenda projectada na realidade. Pois, de dentro para fora, a imagem mítica insere-se na figura do homem simples, emprestando-lhe a sua aura fictícia. Através dos olhos da menina, percebemos o vulto hiperbolizado do Búzio e a inserção do seu carácter irreal nos arredores da praia. As imagens visuais predominam a fim de pormenorizar o impacto da emergência do protagonista sobre o universo artístico, assim como sobre o receptor intra e extratextual ( a menina, o leitor, respectivamente).
Podemos considerar o Búzio a interface da realidade, desde que a sua caracterização equivalha à coisificação de Homero. O segundo é evocado através do primeiro: as suas aparências físicas remetem ao poeta grego: “A sua barba branca e ondulada”, “ os seus olhos [...] ora eram azuis, ora conzentos”, “na mão esquerda trazia um grande pau”, “O Búzio chegava de dia, rodeado de luz e de vento”. Ao contrário, a sua atitude remete à impressão do aparecimento dum menestrel medieval ou de um Orpheu que canta e encanta; não pede nada, mas oferece tudo, recebendo só “bocados secos de pão e tostões”.
O Búzio é representado, num certo momento, em contraste com os pedintes comuns retratados na decadência, nem sequer comovente, mas repulsiva, enquanto ele, impressionante e digno, “alto e direito”, “não tinha nenhuma ferida”, pertencente à natureza, tem um efeito completamente diferente sobre os outros.
A narradora enquadra esta personagem na natureza: “A terra era a sua mãe e sua mulher”, estabelecendo uma relação mais do que íntima, uma correspondência animista: Búzio empresta dela as feições “ a sua barba [...] era igual a uma onda de espuma”, “os seus olhos, como o próprio mar”, “julgava-se que fosse uma árvore ou um penedo”, o ritmo, paradoxalmente, quase estagnante, arcaico é definido pelo advérbio reiterado “demoradamente” e pelo baloiço do seu corpo, dos seus gestos “desprendia o saco do pau, desatava os cordões, abria o saco [...]”. Ademais, esta incorporação, esta fusão justifica-se explicitamente no texto: “Nele parecia abolida a barreia que separa o homem da natureza”. Iria ainda longe e diria que esta “barreia abolida” podia simbolizar aquela entre a ficcionalidade e a realidade, entre a sombra persistente subtilmente de Homero e o vulto do Búzio.
No meu entender, a imagem do Búzio constrói-se no percurso textual, adquirindo sempre novas significaçöes, como se nele existisse uma dicotomia, uma sobreposição de Homero/ poeta/ ficção/ mito/ essência aplicada ao Búzio/ mendigo/ veracidade/ aparência. O resultado deslumbra: todas as forças naturais concorrem para o retrato: “O sol pousava nas suas mãos, o sol pousava na sua cara e nos seus ombros”, como se quisesse anunciar um momento culminante.
O Búzio – como as conchas encontradas tanto no mar, como na terra – é habitante de dois mundos ( o lendário e o real-no sentido intratextual), é o sábio acompanhado pelos seus objectos mágicos e simbólicos: as conchas, o pau, o saco, o cão, o feiticeiro que perpetuará os mitos na realidade. Este próprio feiticeiro adquire uma índole esquisita: conversa com a natureza, nomeia as coisas num diálogo imperceptível, delirante “que parecia recortar e desenhar todas as coisas”. Desencadeia-se, “falava com o mar” junto com as forças da natureza “uma levíssima névoa subia do mar”, “o vento rápido”, o sol.
Para além disso, ele está num processo de criação, forja palavras, enfeitiça-as, canta-as, molda-as, tem um poder divino como se fosse o próprio Criador dizendo: “Primeiro foi a Palavra”. O Búzio é o Poeta que anima toda as coisas através das palavras “quase visíveis,[..], brilhantes”, que as isenta de todas as impurezas, conferindo-lhes a essência: “vento, frescura de águas, oiro do sol, silêncio e brilho das estrelas”.
Escolhi comentar este texto e não me arrependi em nenhum momento! Esta escrita cheia e que cheira a poesia, a simplidade tão complexa ( se me é permitido) da vida, do mundo, a regresso subtil às coisas fundamentais...tudo me atraiu na teia do universo artístico criado por Sophia.
Teodora–Elena Chiţă
2º Ano
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